sábado, 3 de outubro de 2015





Por que você tem medo de ser feliz?


Por: Jucimara Gonçalves Bernardo


Você tem medo de ser feliz? Deve estar estranhando essa pergunta não é? Pode ficar tranqüilo, você está lendo e compreendendo corretamente. Talvez esteja sendo afetado, porque pode estar condicionado a se perguntar ou afirmar sempre, da seguinte forma: eu tenho medo de “não” ser feliz!
Mas aí vos pergunto, por que tendes sempre a se focar no pessimismo? A ver sempre o lado negativo das situações e experiências vividas? A acreditar que tudo na sua vida tende a dar primeiro errado? E que se der certo, será porque você tem muita sorte, ou porque existe uma pessoa que te salvou. Ou ainda, porque existe uma força sobrenatural que fez tudo por você, inclusive o impossível! E que o fato de alguma coisa ter dado certo na sua vida, não tem nada a ver com a sua fé, determinação, tentativas e autoconfiança.
Por que a possibilidade de algo negativo lhe acontecer, é maior que a possibilidade de algo positivo lhe acontecer? Quem te disse que é, e será sempre assim? Quem determinou esta lógica matemática? De onde vem essa voz que ecoa diariamente em sua mente, e te sabota todas as possibilidades de algo bom lhe acontecer?
Agora pare, respire fundo e procure na sua história de vida! Mergulhe na linha do tempo! Tenta, tenho certeza que pode se surpreender!
Será que foi sua mãe, quando estava com raiva por um motivo pessoal, que te disse coisas aparentemente sem sentido ou relacionadas contigo. E você acabou introjetando a informação como um sentimento de culpa? Será que foi seu pai, quando não conseguindo lidar com os próprios conflitos e feridas, os projetou em você e você absorveu o conteúdo como sendo uma verdade absoluta sobre quem é você? Ou será que foi um professor, cansado e stressado com o seu labor, que humanamente te direcionou um afeto negativo, e você o tatuou em seu inconsciente como sendo uma mensagem de descrença, que aniquila diariamente toda sua motivação? Enfim, com quem você aprendeu a ser assim, tão pessimista? Seus pais também são assim?
São muitos os questionamentos não é? Mas te convido a mergulhar ainda mais nesse oceano chamado EU interior.
Como se formaram seus conceitos, características, qualidades, defeitos, jeito de andar, falar, se vestir, comer, o que gostar de fazer, que tipo de música escutar, etc.? Tenho certeza que você não nasceu sabendo de tudo isso!
Levanto a hipótese de que esteja respondendo mais ou menos assim: eu fui descobrindo aos poucos, à medida que fui crescendo, experimentando, tendo curiosidade, conhecendo e interagindo com novas pessoas, enfim me permitindo!
E se formos mais adiante, também poderá até perceber, que muitos dos seus conceitos, características, qualidades, defeitos, jeito de andar, falar, se vestir, o que comer, o que gosta de fazer, o ritmo musical, etc. também foram mudando ao longo do seu desenvolvimento fisiológico e psicológico! Inclusive o que você considerava ser uma verdade absoluta aos dez anos de idade, certamente deixou de ser verdade agora na idade em que você se encontra. Assim, como também, algumas verdades permanecem inalteradas.
Pois bem, então agora voltamos para um dos questionamentos iniciais: por que o negativismo e o pessimismo precisam ser considerados uma verdade absoluta na sua vida? Se você evolui fisiologicamente, porque também não pode evoluir psicologicamente e emocionalmente? Será que você tem medo que as coisas dêem certo na sua vida?
Isso mesmo, não se faça de desentendido ou desentendida. Mas te convido a acolher tamanha inquietação ou angústia! Olhe para ela, com um olhar de aceitação, com ternura, livre de preconceitos ou qualquer tipo de racionalização. Também não tente se justificar, porque agora a conversa é só entre você e seu EU interior. E nessa conversa, não há espaço para o Ego e nem muito menos para o superego da moralidade.
Isso mesmo, aceite e acolha com a simplicidade de uma criança que está diante daquele adulto, que também carrega em seu interior traumas e conflitos de experiências que ainda hoje, clamam por uma ressignificação e libertação. E agora, perceba que nada foi sua culpa, que você era apenas uma criança descobrindo e tentando aprender a ser-no-mundo e estar-no-mundo de forma fluída. E como criança, ou seja, com as ferramentas psicológicas que tinha na época, você deu o seu melhor e fez tudo que lhe era possível! Perdoe-se!
Escute bem: agora você não precisa mais ficar neste lugar da culpa, do medo, da insegurança e do pessimismo. Tens a opção de finalmente se libertar desta prisão!
Simplesmente, porque nenhuma verdade é eterna, você não é mais uma criança, e a vida lhe provou que você pôde seguir adiante. Pare um pouco, olhe para você, se olhe no espelho, veja como você cresceu, o quanto amadureceu com seus erros e acertos, o quanto mudou ao longo das suas vivências. E principalmente, o quanto cada encontro e desencontro fizeram de você a pessoa que é hoje! Essa é a prova viva de que mesmo sem você perceber, conseguiu contrariar uma certeza que estava carimbada e autenticada: o pensamento negativo de que nada ia dar certo, e que sua vida não saiu do lugar.
E eu voz digo ainda mais, você saiu sim deste lugar sentenciado. Você deixou de rastejar e engatinhar, e agora anda com as próprias pernas e não mais sendo carregado nos braços de um adulto. O adulto que agora direciona e carrega-te no curso da vida, és tu mesmo!  
Estais convencido agora, de que sua vida tem movimento e fluidez?  E que talvez seja você que não quer ver? Que não quer crescer? Que se priva de novas e maravilhosas experiências? Que tem medo de ser feliz?
O que te impede de ver o lado bom da vida? De crer nas possibilidades de autorealização? E eu te afirmo, é você mesmo e sua acomodação mental! É O SEU MEDO DE SER FELIZ E REALIZADO NESTA VIDA! Neste exato momento, aqui-e-agora! E não amanhã, a semana que vem, o mês que vem, o ano que vem, enfim, segundos antes de morrer.
De fato a vida não lhe dará garantia de absolutamente nada. Mas concorda, que se você não se arriscar, não abrir mão desta falsa idéia de controle, nunca viverá ou terá experiência em nada?
Por fim, para concluir, vos deixo mais dois questionamentos: qual a diferença entre viver e vivenciar? Você vive ou vivencia? Agora é com você!



Fonte da imagem: https://www.google.com.br/


segunda-feira, 27 de abril de 2015

REFLEXÕES SOBRE O SOFRIMENTO ÉTICO POLÍTICO E ANTROPOLÓGICO NA EXPERIÊNCIA DO ADOECIMENTO


                                                                                             Por: Jucimara Gonçalves Bernardo




                Intervir na clínica do sofrimento ético político e antropológico nos moldes da teoria do self, é aprender a disponibilizar-se para o encontro, é prover condições para que o sujeito elabore e ressignifique sua experiência de perda (função orgânica e/ou identidade social perdida).
É possibilitar que este, apreenda que muito mais, que um membro limitado e/ou amputado, um ex-cargo profissional em determinada repartição pública, ele é um homem holístico. Ou seja, dotado de uma vida que perpassa pelas dimensões: física, social, emocional, profissional e espiritual, e por isso, um ser em constante processo de evolução e transformação e não limitado a doença.
No que diz respeito ao profissional da saúde mental, seu papel é o de oferecer ao paciente suporte e inclusão no meio social, principalmente quando todos os demais semelhantes não dispõem de habilidade para suportar e acolher o sofrimento e/ou o medo da finitude.
Assim, o psicólogo ao intervir no campo da saúde mental, precisa atuar como um agente de integração da vida do paciente. Sendo um corpo auxiliar que o ajude a identificar-se de forma concreta com uma representação social, que não seja a redundância de uma função orgânica limitada e/ou pedida. E que a partir, desta nova ressignificação de identidade social, este possa perceber-se reconhecido nas suas interações sociais e possuidor de um valor compartilhado (M. MULLER-GRANZOTTO & R. MULLER-GRANZOTTO, 2012b).
Neste sentido, o modelo teórico e prático de intervenção da clínica do sofrimento ético político e antropológico postulado por Muller-Granzotto; Muller-Granzotto (2012), oferece ao clínico uma possibilidade holística de cuidado em saúde mental. Pois transpõe a dicotomia da medicina curativa (que trata apenas a doença, restringindo-se exclusivamente ao orgânico) e busca pactuar uma rede de cuidado significativa com os agentes provedores da saúde mental. A saber: formada por psicólogo, paciente, família e contexto social.
Ademais, para que este modelo de intervenção seja possível, cabe ao clínico primeiramente compreender em sua relação com o paciente adoecido, o modo como este é convocado a participar do campo e como ele participa da construção dos ajustamentos ético político e antropológico. Visto que, é somente a partir deste diagnóstico de campo, que o clínico terá condições de traçar um plano de intervenção mais assertivo para as demandas direcionadas ao paciente (M. MULLER-GRANZOTTO & R. MULLER-GRANZOTTO, 2012b).
Intervenções estas, que vão desde a ascensão da função de ato, a criação de espaços que prezem pelo exercício da cidadania, o acolhimento, até o incentivo de ajustamentos criadores, que o leve a fazer pedidos e alcançar uma autonomia possível, frente às necessidades e problemas enfrentados com o adoecimento somático (M. MULLER-GRANZOTTO & R. MULLER-GRANZOTTO, 2012b).


REFERÊNCIAS

GRANZOTTO, M. J. M.; GRANZOTTO, R. L. A clínica gestáltica da aflição e os ajustamentos ético-políticos. Rev. de Terapia Gestalt de la Asociación Española de Terapia Gestalt. Vitoria: Ediciones la Llave D.H., n. 30 (Clínica Gestáltica), 2010.

______. Fenomenologia e Gestalt Terapia. São Paulo: Editora Summus, 2007.

______. Clínicas Gestálticas: Sentido Ético, Político e Antropológico da Teoria do Self. São Paulo: Editora Summus, 2012a .

______. Psicose e Sofrimento. São Paulo: Editora Summus, 2012b .

quarta-feira, 8 de abril de 2015


UM OLHAR GESTÁLTICO ACERCA DA AUTO-REGULAÇÃO FAMILIAR



Por: Jucimara Gonçalves Bernardo




RESUMO

O presente artigo tem como objetivo, apresentar a relevância do conceito de auto-regulação organísmica de Kurt Goldstein, e sua relação dialógica com o funcionamento familiar e a depressão infantil, a partir de uma leitura gestáltica. Recorremos para tanto, a uma revisão bibliográfica dos seguintes conceitos: auto-regulação organísmica, ajustamento criativo, dinâmica familiar e depressão infantil. À guisa de conclusão, constatou-se que é através do contato fluido e espontâneo na relação familiar, que criança aprende a se auto-regular organísmicamente, ensaia os primeiros passos para a apropriação da sensação de si - mesmo, e posteriormente manifesta ajustamentos criativos saudáveis ou não-saudáveis, que lhe permitem expressar suas emoções e sentimentos.

Palavras-chave: Auto-regulação organísmica. Depressão Infantil. Família. Gestalt-Terapia.

Disponível em: http://www.psicopedagogia.com.br/new1_artigo.asp?entrID=1751#.VT5C4tJViko

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

SER: verbo ou substantivo?



Jucimara Gonçalves Bernardo


            Antes de me lançar na ontologia de Heidegger, procurarei revisar rapidamente e não por acaso o significado das palavras substantivo e verbo. Segundo o dicionário Aurélio:Substantivo é a palavra com que se nomeia um ser ou um objeto.Verbo é a palavra que designa ação, estado, qualidade ou existência.Partindo dessa perspectiva, Heidegger parece nos chamar a atenção, para o originário sentido da palavra “ser” como verbo, ou seja, o ser em ação, capaz de construir a sua própria existência, porém dotada de um fim e assim um ser finito, um ser-para-a-morte. Daí a expressão: eu sou um eterno vir-a-ser, que o verbo ser nos convoca.
Nesta encruzilhada de completude e incompletude, a angústia antes vista como um movimento afetivo sem causa, sem objeto, ilusório, agora ganha sentido: a angústia é a prova da própria existência, ou seja, ela reside porque o ser existe, e não tem domínio total da sua própria vida; a única certeza que se tem é que um dia morrerá e nem mesmo sabe como e quando.
Dessa forma a angústia se deve ao nada, ao não ser substantivo, e assim ultrapassando a visão anterior, o angustiar-se é a própria afirmação de existência.
Quem de nós nunca se perguntou sobre o que é, e qual será nosso destino? A sua real causa e seus fins? Eis um questionamento sem fim, não é? Assim como não se esgota a origem do sofrimento ao qual chamamos de angústia.
Poderíamos, assim, pensar na angústia como uma espécie de chamado, uma real convocação do eu substantivo para o eu verbo, visto que a angústia se encontra tão próxima de nós.
Mesmo sem saber explicá-la, a angústia não deixa de existir e nem tão pouco deixamos de senti-la, é assim que Heidegger nos convoca a entender e compreender o movimento constante da nossa existência. Portanto, eis o sentimento que nos impulsiona a agir, a viver, a prosseguir nessa enigmática caminhada da vida, a buscar um abrigo, uma razão, enfim, uma existência como substantivo.


Observação: texto já publicado em 04/08/2010 no site: http://dialogoscariri.blogspot.com.br/2010/08/ser-verbo-ou-substantivo.html, pela referida autora.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

O PAPEL DA PSICOTERAPIA



Jucimara Gonçalves Bernardo



[...] toda arte é a combinação de um fato com o sentimento a respeito dele. O terapeuta também, como o artista, age a partir de seus próprios sentimentos, como o artista, usando seu próprio estado psicológico como um instrumento da terapia (Erving e Mirian Poster, 2001, p.35).



Sendo a Psicologia uma ciência que estuda os processos mentais, o comportamento humano e as suas interações com o ambiente físico e social, ela busca auxiliar pessoas que estão em situação de sofrimento psíquico (com dificuldades de relacionamento, com conflitos emocionais, depressão, alterações mentais mais graves, etc.), e/ ou apenas querem se conhecer melhor. Para isso, dentro das diversas ramificações da Psicologia existe a psicoterapia.
A psicoterapia, ou atendimento psicológico clínico, é uma atividade exercida apenas por psicólogos e/ou psiquiatras.
De forma simples, a psicoterapia pode ser entendida como um processo em que duas ou mais pessoas - terapeuta e paciente(s) - interagem através do diálogo, utilizando recursos variados e com o objetivo de proporcionar crescimento pessoal, aumentar a criatividade e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Na psicoterapia individual, terapeuta e paciente buscam juntos aprender sobre como este funciona, a partir do relato de suas experiências de vida e também do que pode ser observado no consultório.
O paciente é estimulado a se desenvolver e a aprender sobre ele mesmo, através dos seus sintomas e das trocas estabelecidas neste processo.
Neste âmbito, a psicoterapia disponibiliza instrumentos (subjetivos) que o paciente irá incorporar ao seu funcionamento psíquico, ou seja, conseguir se perceber, entrar em contato com ele mesmo e resolver conflitos, mesmo sem a presença do terapeuta, já que a meta final da psicoterapia é conduzir o paciente à autonomia e à auto-responsabilidade.
A sala de psicoterapia constitui-se como sendo um espaço provedor da criação e recriação, principalmente por permitir ao paciente, de forma segura "enfrentar os seus sentimentos de frustração, agressividade, medo, insegurança, confusão, entre tantos outros, aprendendo a controlá-los ou a abandoná-los, ao mesmo tempo que vai percebendo que é uma pessoa autônoma e com direito a sentir todas essas emoções" (HOMEM, 2009, p. 21-22).
A psicoterapia pode ser buscada quando de alguma forma, você não estiver satisfeito com o andamento de sua vida, estiver vivenciando algum sofrimento que não consegue superá-lo, e/ou buscando o autoconhecimento. É indicada para todas as fases do desenvolvimento humano (infância, adolescência, adultez e terceira idade).
É um mito, acreditar que o psicólogo só cuida de pacientes com transtornos mentais. Pelo contrário, as pessoas costumam buscar a ajuda de um profissional de psicologia porque querem evitar a estagnação da vida!
Outro mito, é acreditar que o psicólogo vai dar conselhos ao paciente, e associá-lo a figura de um amigo. Esclareço aqui, que diferente do amigo, a função do psicoterapeuta (que estudou e se capacitou durante anos para exercer a profissão), é a de ser um facilitador, ou seja, ajudar o paciente a encontrar nele mesmo, as ferramentas necessárias para reconfigurar a sua vida, alcançar autonomia e fazer novas escolhas. 


REFERENCIAS


 POSTER, E. e M. Gestalt-terapia integrada. São Paulo: Editora Summus, 2001. 

HOMEM, C. A ludoterapia e a importância do brincar: Reflexões de uma educadora de infância. Cadernos de Educação de Infância. n.º 88 Dez. 2009. Disponível em: http://www.apei.pt/upload/ficheiros/edicoes/CEI_88_Artigo2.pdf. Acesso em: 01 ABR. 2012.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A FORMAÇÃO DO PSICÓLOGO ÉTICO



Jucimara Gonçalves Bernardo


O Curso de Graduação em Psicologia tem duração de cinco anos, e sua missão é formar profissionais com sustentação científica, postura ética, crítica e reflexiva, qualificadas para o exercício técnico e profissional em Psicologia.
Durante a formação, o aluno é estimulado a desenvolver competências e habilidades nas diferentes abordagens (orientações teórico- metodológicas): Psicodrama, Psicanálise, Fenomenologia-existencial, Gestalt-terapia, Análise do comportamento,  etc. 
Busca capacitar o aluno à agregar criticamente tais teorias (metodologias), às diversas práticas desenvolvidas ao longo das disciplinas curriculares e estágios supervisionados. Bem como, agenciar interlocuções com os diversos campos de conhecimento, que possibilitam a apreensão da complexidade e subjetividade dos fenômenos psicológicos (medicina, religião, educação, sociologia, etc.).
É um mito acreditar que existe uma abordagem mais eficaz e/ou melhor que a outra! O que existe é, uma diversidade de olhares e formas singulares de se olhar teórica e cientificamente, para um mesmo fenômeno: o ser humano e sua relação organismo/ambiente.
Durante a graduação, é importante que o aluno invista no seu processo pessoal e emocional, ou seja, que "faça psicoterapia". Pois é somente, se conhecendo e entrando em contato com os seus próprios conflitos de modo à não inibi-los, que o futuro psicólogo conseguirá olhar e acolher a vulnerabilidade do paciente, e intervir de modo criativo e com "responsabilidade".
Após a formação, é importante que o psicólogo continue se reciclando e aprimorando-se sempre. Seja a partir de cursos de: especialização, mestrado, doutorado, participando de eventos da área e/ou multidisciplinar, fazendo supervisão com profissionais capacitados e estudando sempre.

É necessário acrescentar, que o psicólogo só estará apto a exercer legalmente sua profissão, após concluir  a graduação e registrar-se formalmente junto ao Conselho Regional de Psicologia (CRP) de seu estado. No Cariri, somos regidos e atuados pelos CRP-11. 

No que diz respeito à ética profissional do psicólogo, podemos destacar as seguintes atribuições:
·           É seu dever trabalhar visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e da coletividade, contribuir para a eliminação de quaisquer formas de negligencia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
·           Assumir responsabilidades profissionais somente por atividades para as quais esteja capacitado pessoal, teórica e tecnicamente.
·           Guardar sigilo por parte do profissional psicólogo, salvo em caso de pedidos da justiça. Sendo então o mesmo obrigado a dar somente as informações pedidas e nada mais.

No que diz respeito a ética na avaliação psicológica, existem seis padrões básicos norteadores que devem ser seguidos pelo profissional de psicologia:

·           Competência: exercer sua função da melhor forma possível, estar habilitado para tal e reconhecer seus limites. Dessa forma é ilusão achar que todo psicólogo deve dar de conta de tudo. Pelo contrário, é preciso se especializar e fazer muito bem o que é de sua especialidade.
·           Integridade: respeitar, ser honesto e justo com o paciente. Quando o psicólogo por questões pessoais não consegue dar conta da demanda, o mais correto é encaminhar para outro profissional.
·           Princípios de responsabilidade científica e profissional: utilizar técnicas de acordo com a demanda do paciente.
·           Respeito à dignidade das pessoas: guardar sigilo das informações recebidas.
·           Preocupação com o bem-estar alheio: consciência da relação de poder e evitar atitudes que envolvam engano ou exploração.
·           Responsabilidade social: participar na formação de políticas e leis que possam beneficiar a sociedade, sem envolver necessariamente, vantagens profissionais.

REFERENCIAS


BOCK, A. M. B. Formação do Psicólogo: Um debate a partir do significado do fenômeno psicológico Rev. Psicologia Ciência e Profissão. v.17, n.2, 1997. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/pcp/v17n2/06.pdf. Acesso em: 05 ABR. 2012.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Senhoras e senhores gestores da Saúde, Como a Psicologia pode contribuir para o avanço do SUS. Disponível em: http://www.pol.org.br/pol/export/sites/default/pol/publicacoes/publicacoesDocumentos/conasems_crepop_v4.pdf. Acesso em: 25 FEV. 2012. Brasília-DF, 2011

CUNHA, Jurema Alcides. Org. PSICODIAGNÓSTICO – V. ed.5ª. ED. Artmed. São Paulo.

PASQUALI, Luiz. TÉCNICA DE EXAME PSICOLÓGICO – TEP, Manual. Vol.1. Fundamentos das técnicas psicológicas.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

O IMPACTO DO BULLYING NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM


 Jucimara Gonçalves Bernardo



A instituição escola deve ser por excelência um ambiente seguro e saudável, onde crianças e adolescentes possam desenvolver, ao máximo, os seus potenciais intelectuais e sociais.
De acordo com Neto (2005), admitir que estudantes sofram violências é colaborar para o desencadeamento e aumento de danos físicos e/ou psicológicos, assim como permitir que várias pessoas testemunhem tais fatos e se calem para que não sejam também agredidos e acabem por achá-los banais ou, pior ainda, que diante da omissão e tolerância dos adultos, adotem comportamentos agressivos.

 Segundo Fante (2006, p. n.p) o termo bullying é definido universalmente como sendo:

“Um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento”. Insultos, intimidações, apelidos cruéis e constrangedores, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-os à exclusão, além de ataques virtuais, através de celulares e internet, (cyberbullying), são alguns exemplos de Bullying.

 De acordo com Fante (2006), vários estudiosos sobre o assunto identificaram e classificaram os diversos tipos de papéis sociais desempenhados pelos seus protagonistas, por:

§     Vítima típica: aquele que serve de bode expiatório para um grupo;
§   Vítima provocadora: aquele que provoca determinadas reações contra as quais não possui habilidades para lidar;
§     Vítima agressora: aquele que reproduz os maus-tratos sofridos;
§     Agressor: aquele que hostiliza e maltrata;
§     Espectador: aquele que presencia os maus-tratos, porém, não o sofre diretamente e nem o pratica, mas que se expõe e reage inconscientemente à sua estimulação psicossocial.

Segundo Neto (2005), as pesquisas sobre bullying só ganharam destaque a partir dos anos 1990, e estudos indicam que a prevalência de estudantes vitimizados varia de 8 a 46%, e de agressores, de 5 a 30%3,19.
Fante (2006) atribui às causas de tal comportamento a carência afetiva, ausência de limites, desagregação familiar, modo de afirmação dos pais sobre os filhos, através de castigos físicos e explosões emocionais violentas, exposição constante às diversas cenas de violência exibidos na mídia, etc.
As conseqüências desse comportamento para as vítimas podem ser de ordens físicas, sociais e emocionais de curto e longo prazo, assim como o comprometimento intenso do desenvolvimento psíquico da criança, desencadeando transtornos muitas vezes irreparáveis.
Dependendo da gravidade, Fante (2006), salienta que na aprendizagem as conseqüências imediatas podem ser notadas através de déficit de concentração e aprendizagem, queda do rendimento escolar, desinteresse pelos estudos e abstinência escolar. Ao passo que a longo prazo, pode-se manifestar fobia escolar e social, dificuldade de socialização e de relacionamentos. Para os agressores, os prejuízos mais evidentes se manifestam através do distanciamento dos objetivos escolares, a dificuldade de adaptação às regras escolares e posteriormente, às regras sociais, a valorização da violência como forma de conseguir seus intentos. Posteriormente a presença de tendências ao envolvimento em condutas delituosas, dificuldades de relacionamento na constituição familiar, no ambiente de trabalho e de convivência social se tornaram cada vez mais constante. 
De acordo com Neto (2005), os principais sinais e sintomas possíveis de serem observados em alunos alvos de bullying são:


§  Enurese noturna
§  Alterações do sono
§  Cefaléia
§  Dor epigástrica
§  Desmaios
§  Vômitos
§  Dores em extremidades
§  Paralisias
§  Hiperventilação
§  Queixas visuais
§  Anorexia
§  Bulimia
§  Isolamento
§  Tentativas de suicídio
§  Irritabilidade
§  Agressividade
§  Ansiedade
§  Perda de memória
§   Histeria
§   Depressão
§   Pânico
§   Relatos de medo
§   Resistência em ir à escola
§  Demonstrações de tristeza
§  Insegurança por estar na escola
§  Mau rendimento escolar
§  Atos deliberados de auto-agressão
§  Síndrome do intestino irritável




REFERÊNCIAS:

   
FANTE, Cleo. FENÔMENO BULLYING: COMO PREVENIR A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS E EDUCAR PARA A PAZ. IV SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE EDUCAÇÃO DO CEARÁ – O desafio da leitura e da escritas, Relações na escola: Valores e Disciplina. ANAIS, 2006.
  
NETO, AA. Lopes. Bullying – comportamento agressivo entre estudantes. J Pediatr (Rio J). 2005; 81(5 Supl):S164-S172.




quinta-feira, 25 de julho de 2013

UM GOLPE DO DESTINO: TEXTO SENTIDO




Jucimara Gonçalves Bernardo


INTRODUÇÃO


Iniciemos então, este texto refletindo primeiramente e não por acaso, acerca dos seguintes questionamentos: o que é a vida? O que é viver? O que é existir? Viver difere de existir ou ambas são a mesma coisa? Qual o real sentido de nossa existência? Quando e como morreremos? O que é a morte? É difícil responder não é? Existem inúmeras explicações a serem dadas, porém é necessário esclarecer que este não será foco deste trabalho.
Todos esses questionamentos têm por objetivo neste primeiro momento, deixar claro que é por esta difícil e delicada condição de estar no mundo (vida, bem mais precioso que possa existir), que o consulente busca o profissional da saúde nas clínicas e hospitais, clamando e pedindo que o ajude a preservá-la, salvar ou simplesmente zelar por sua vida.
E assim vos pergunto novamente: como este profissional tem cuidado e protegido esta vida? Estão cuidado da doença ou do ser humano que sofre? Estão de fato percebendo o quão frágil se encontra este consulente que beira a eminência de sua morte? Estão desenvolvendo uma relação consulente/profissional saudável e um tratamento humanizado?
É em torno desta temática e a partir do filme: Um golpe do destino, que procurarei discutir a respeito de algumas problemáticas ocorridas no âmbito dos serviços de saúde.

O TRATAMENTO HUMANIZADO

Ao ser internado o consulente passa por um processo que podemos chamar de despersonalização, ou seja, passa a receber tratamentos impessoais, como por exemplo, deixa de ser chamado pelo nome e passa a ser chamado por um número (“o paciente nº. 37”), sua vaidade, seus gostos, desejos, necessidades emocionais e psíquicas passam a ser grosseiramente reprimidas.
Na conduta de alguns médicos, assim como mostra o filme: Um golpe do destino é nítido perceber que: a princípio a visão de homem que se tem é inteiramente dicotômica, o foco principal é a doença e não o ser humano que sofre, alguns se sentem onipotentes e tratam seus pacientes como máquinas que precisam de um concerto mecânico. Os aspectos psíquicos e emocionais, assim como a estrutura de personalidade e a história de vida do paciente são totalmente desprezadas diante da oferta terapêutica aplicada. Enfim são cenas que na realidade desvelam a desumana forma de atendimento e procedimentos invasivos desempenhados por estes profissionais. Mas felizmente, reconheço que não são todos os profissionais da saúde que são assim, existe profissionais qualificados e humanizados em muitas instituições de saúde!
De acordo com Carvalho, Santana & Santana (2009), a temática humanização e qualidade dos serviços começou a ser discutida no ano de 2000, a partir da XI Conferência Nacional de Saúde que teve como tema: Efetivando o SUS: Acesso, Qualidade e Humanização na Atenção à saúde com Controle Social.
Segundo o Ministério da Saúde, humanizar não significa apenas reorganizar os espaços sanitários, visa, sobretudo, reorganizar os processos de trabalho, formar e qualificar trabalhadores, garantir os direitos e a cidadania dos usuários por meio do controle e da participação popular.  
Deslandes (2004) apud Carvalho, Santana & Santana (2009), desvela quatro eixos referentes à Política Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar:

1) Humanização como oposição à violência, podendo esta ser física (maus-tratos) ou psicológica (a não compreensão das demandas e expectativas do paciente);
2) Humanização como capacidade de oferecer um atendimento de qualidade (exemplificada pela tecnologia leve, a qual diz respeito aos modos relacionais de agir na produção dos atos de saúde, ou seja, a produção de vínculos, acolhimentos e autonomização ao usuário);
3) Humanização como melhoria das condições de trabalho do cuidador;
4) Humanização como ampliação do processo comunicacional, ou seja, a presença de mecanismos que permitam a livre expressão dos usuários: a ouvidoria.

Desta forma, percebe-se que, em se tratando do ambiente hospitalar, humanizar significa compreender também os medos, angústias e incertezas do paciente, dando-lhes apoio e atenção permanente.
Outra importante missão do profissional de saúde, é estabelecer e assumir uma postura ética de respeito ao individuo, tratá-lo com dignidade, sob a hipótese de que será somente assim, que o consulente passará a apropriar-se do seu adoecer, a responsabilizar-se por suas escolhas e por buscar caminhos que lhes traga o restabelecimento e equilíbrio organísmico.
Perls (2002), ao referir-se as inúmeras formas e possibilidades de apropriação da vida assumidas pelo homem, convoca-nos a refletir descrevendo o seguinte trecho:

É essencial que o homem aprenda a “sensação de si mesmo”, restaurando todos os impulsos e as necessidades, todos os prazeres e as dores, todas as emoções e sensações que fazem a vida valer a pena ser vivida, que se tornaram fundo ou foram reprimidas em nome do seu ideal dourado. Deve aprender a fazer outros contatos na vida além de suas relações comerciais (p.152).

É pensando em mediar este contato do paciente consigo mesmo e com os profissionais da saúde, que o psicólogo hospitalar (profissional capacitado para analisar as relações inter-pessoais), deve esforçar-se para: focar seu trabalho no paciente, resgatar sua essência de vida interrompida pela doença e a internação, acolher a demanda do paciente e familiar, considerar o ser humano em sua totalidade e integralidade, observar e ouvir com paciência e empatia a linguagem verbal e não-verbal dos pacientes, observar todos os aspectos relacionados ao adoecer, aumentar a integração da equipe com o usuário, favorecer apoio à equipe de saúde e familiares, buscar uma visão ampla do que é e como está o paciente frente ao processo de doença e por fim resgatar a visão de individuo como um todo.

CONCLUSÃO

Concluímos então, que na atuação do psicólogo hospitalar não basta apenas ter um vasto conhecimento cientifico é preciso saber como utilizá-lo, lembrando ainda que, se não estivermos preparados para aprender com o paciente, nosso saber de nada adiantará. Iludisse o acadêmico, achando que a simples formação lhe garantirá o sucesso do seu exercício (afirma Angerami Camon), e o filme: Um golpe do destino, deixa bem claro a insuficiência do modelo biomédico. Ressalta-se aqui, a importância de se consolidar práticas empáticas e humanizadas no acolhimento ao paciente enfermo, independente de qual seja o projeto político de saúde em que é assistido.


REFERÊNCIAS:


PERLS, Frederick S. Egos, fome e agressão: uma revisão da teoria e do método de Freud. São Paulo. Ed. Summus, 2002.

CARVALHO, Denis Barros de, SANTANA, Janaína Macêdo & SANTANA, Vera Macêdo de. Humanização e Controle Social: O Psicólogo como Ouvidor Hospitalar. Revista PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2009, 29 (1), 172-183.

MINISTÉRIO DA SAÚDE – SECRETARIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE. ABC do SUS: Doutrinas e Princípios, Brasília/ DF, 1990.

CAMOM, Valdemar Augusto Angerami (Org). E a psicologia entrou no hospital. 1ª ed. São Paulo. ED. Pioneira Thomson Learning, 2003.